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IRS 2026: guia completo e atualizado para contribuintes

Todos os anos, quando o tema do IRS volta à conversa, há quem sinta um aperto no peito. Entre palavras técnicas, tabelas complexas e prazos apertados, é fácil perder-se – e acabar a pagar mais imposto do que devia ou a receber menos do que merecia. Se já se questionou sobre como funcionam os escalões, quais as despesas que pode deduzir ou porque motivo o salário líquido muda todos os meses, não está sozinho.

Muitos portugueses enfrentam as mesmas dúvidas, sobretudo quando surgem alterações de um ano para o outro. Compreender o IRS 2026 não exige um curso de finanças nem horas de leitura de legislação. Basta informação clara, organizada e atualizada. Este guia foi pensado para si: um adulto ocupado, com responsabilidades e rendimento estável, que quer tomar decisões informadas sem complicações desnecessárias.

Ao longo deste artigo, vamos descomplicar os escalões, explicar as deduções disponíveis, revelar os prazos que não pode falhar e mostrar estratégias práticas para melhorar a sua declaração. Tudo com exemplos concretos, linguagem simples e foco no que realmente interessa: pagar o justo e aproveitar todos os benefícios a que tem direito.

IRS 2026 atualiza escalões em 3,51%, reduz retenção na fonte até 920 € mensais e mantém deduções em saúde, educação e habitação – maximize o reembolso validando faturas até março e cumprindo prazos críticos.

IRS 2026 em palavras simples: o que muda e o que se mantém

O IRS 2026 mantém a sua estrutura base mas traz ajustes importantes que vão refletir-se no salário ao longo do ano. Em termos simples, o Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares incide sobre todos os rendimentos que recebe: salários, prestação de serviços, rendas, pensões e outros ganhos obtidos durante 2026. A grande novidade para este ano é a atualização dos escalões de IRS em 3,51%, acompanhando a inflação registada, o que significa que vai pagar menos imposto pelo mesmo rendimento em comparação com 2025.

Na prática, o IRS funciona em duas fases. Primeiro, há a retenção na fonte – aquela quantia que a entidade patronal desconta mensalmente do ordenado bruto e entrega diretamente ao Estado. Este valor é calculado com base em tabelas específicas que consideram o rendimento mensal, situação familiar e número de dependentes. Depois, entre abril e junho de 2027, faz a entrega da declaração de IRS referente aos rendimentos de 2026, sendo esta a liquidação final onde o Estado verifica se reteve a mais ou a menos durante o ano.

Os escalões de IRS funcionam como patamares progressivos: quanto maior o rendimento anual, maior a taxa aplicada. Por exemplo, em 2026, rendimentos até 8.342 € têm uma taxa de 12,5%, enquanto a partir de 83.697 € a taxa máxima atinge 48%. O que muda face aos anos anteriores é que, com a atualização de 3,51%, estes limites subiram ligeiramente, permitindo que muitos contribuintes paguem efetivamente menos imposto ou transitem para um escalão inferior, aumentando o rendimento líquido disponível mensalmente.

Escalões de IRS 2026: como saber em qual está e o impacto no salário

Os escalões de IRS funcionam como degraus progressivos: quanto maior o rendimento coletável, mais imposto paga. Em 2026, existem nove escalões que vão desde rendimentos até 8.342 € até valores superiores a 87.888 €. O rendimento coletável corresponde ao rendimento bruto anual menos as deduções específicas aplicáveis à categoria de rendimentos.

Para determinar o seu escalão, some todos os rendimentos do ano e subtraia as deduções específicas. Imagine que é trabalhador por conta de outrem e ganhou 24.000 € em 2025. Após aplicar as deduções específicas, o rendimento coletável pode ficar em cerca de 21.600 €, colocando-o no 5.º escalão (entre 23.089 € e 29.397 €, com taxa marginal de 31,1%).

Um erro comum é pensar que toda a remuneração é taxada à taxa máxima do escalão. Na realidade, o sistema é progressivo: cada parcela do rendimento é tributada à taxa do escalão correspondente. Imagine que tem 25.000 € de rendimento coletável. Os primeiros 8.342 € são taxados a 12,5%, a fatia seguinte até 12.587 € a 15,7%, e assim sucessivamente até chegar ao seu escalão.

A taxa marginal indica quanto pagará de imposto sobre rendimentos adicionais. Se está no 4.º escalão (taxa marginal de 26,5%), cada euro extra que ganhar será tributado a essa taxa. Já a taxa média representa o peso total do IRS face ao rendimento. Calcular manualmente pode ser complexo, mas as ferramentas online do Portal das Finanças simplificam este processo, aplicando automaticamente as parcelas a abater de cada escalão.

Tabelas de retenção na fonte 2026: quanto vai ser descontado todos os meses

As tabelas de retenção na fonte funcionam como um adiantamento do IRS que paga ao longo do ano. Todos os meses, a entidade empregadora desconta automaticamente uma percentagem do salário ou pensão, baseada em tabelas oficiais publicadas pelas Finanças. Para 2026, essas tabelas foram atualizadas e não há retenção para remunerações até 920 € mensais.

A escolha da tabela correta depende de três fatores principais: o estado civil, o número de dependentes a cargo e o tipo de rendimento. Um trabalhador não casado e sem dependentes enquadra-se numa tabela diferente de um casado com dois filhos, mesmo que ambos ganhem o mesmo valor. Por exemplo, se recebe 2.000 € brutos mensais, a retenção será menor caso seja casado com dependentes, porque a lei reconhece que tem mais despesas familiares.

Existem tabelas específicas para trabalho dependente, pensões e até para titulares com deficiência. O rendimento bruto mensal determina a taxa aplicável dentro de cada tabela. Quanto maior o salário, maior a percentagem retida. A entidade empregadora aplica automaticamente a tabela correta com base nos dados que fornece, mas pode e deve verificar se está a ser aplicada a tabela adequada à situação.

É importante compreender que o valor retido mensalmente não é necessariamente o imposto final que vai pagar. Quando entrega a declaração de IRS em 2027 (referente aos rendimentos de 2026), as Finanças calculam o imposto real devido. Se pagou mais através das retenções, recebe reembolso. Se pagou menos, terá que liquidar a diferença. Por isso, escolher a tabela correta ajuda a equilibrar esse acerto final.

Conceitos-chave do IRS 2026: coleta, rendimento coletável e taxa efetiva

Compreender a terminologia do IRS é fundamental para acompanhar o cálculo do imposto e perceber de onde vem o valor final a pagar ou a receber. Tudo começa com o rendimento bruto, que é a soma de todos os rendimentos recebidos durante o ano – salários, rendas, trabalho independente ou pensões. É o ponto de partida, mas não é sobre este valor que vai pagar imposto.

Ao rendimento bruto aplicam-se as deduções específicas, que variam consoante a categoria de rendimentos. Por exemplo, quem trabalha por conta de outrem beneficia de uma dedução automática. O resultado desta operação é o rendimento coletável, ou seja, a base sobre a qual o imposto será efetivamente calculado. Este valor é depois enquadrado nos escalões de IRS, cada um com a sua taxa.

A coleta é o montante de imposto apurado após aplicar as taxas progressivas ao rendimento coletável. Imagine que ganha 25.000 € anuais: parte desse valor é taxado a 12,5%, outra a 18%, e assim sucessivamente, conforme os escalões. A soma desses valores é a coleta.

Mas o imposto não fica por aqui. Sobre a coleta aplicam-se as deduções à coleta, que incluem despesas com saúde, educação, habitação, entre outras. Estas reduções baixam o valor final a pagar.

Por fim, a taxa efetiva representa a percentagem real de imposto que pagou sobre o total dos rendimentos. Calcula-se dividindo a coleta líquida pelo rendimento coletável. É um indicador útil para perceber qual o peso do IRS no orçamento anual, sendo sempre inferior à taxa do último escalão onde se enquadra.

Deduções em IRS 2026: saúde, educação, habitação e outras despesas

As deduções em IRS funcionam como um mecanismo para reduzir o imposto a pagar, permitindo abater uma percentagem de certas despesas à coleta. Para 2026, as principais categorias mantêm-se estáveis, mas é fundamental conhecer os limites e percentagens aplicáveis a cada uma.

Saúde é uma das categorias mais relevantes, permitindo deduzir 15% das despesas até um limite de 1.000 € por agregado familiar. Aqui entram consultas médicas, medicamentos comparticipados, análises clínicas, próteses dentárias e seguros de saúde. Um agregado que gaste 6.000 € em saúde consegue deduzir apenas os primeiros 1.000 €.

Na educação, a dedução é de 30% dos gastos, com limite de 800 € por membro do agregado. Incluem-se propinas, manuais escolares, creches, ATL e explicações. Uma família com dois filhos pode deduzir até 1.600 € nesta categoria.

As despesas com habitação dividem-se em duas subcategorias. As rendas de habitação permanente permitem deduzir 15% do valor pago, com limite de 900 € em 2026 (subida face aos 700 € anteriores). Já os juros de crédito habitação própria e permanente também beneficiam de dedução, embora com regras específicas conforme o ano de celebração do contrato.

Outras categorias relevantes incluem despesas gerais familiares (35% até 250 € por pessoa) e lares (25% dos encargos suportados).

O controlo e validação de faturas no portal e-fatura é essencial. Até 2 de março, deve verificar se todas as despesas estão corretamente classificadas por categoria, corrigindo eventuais erros. Faturas mal categorizadas podem fazer perder deduções significativas, reduzindo o reembolso ou aumentando o imposto a pagar.

Benefícios fiscais e despesas dedutíveis: como maximizar o reembolso

Maximizar o reembolso de IRS exige conhecer as categorias de despesas dedutíveis e aplicar estratégias práticas ao longo do ano. Em 2026, as principais áreas onde pode recuperar parte do imposto incluem saúde, educação, habitação, despesas gerais familiares e, com as novidades recentes, cultura e apoio domiciliário.

A Rita, professora de 38 anos, tinha sempre reembolsos abaixo do esperado. Começou a registar todas as despesas de saúde da família num ficheiro simples e a validar faturas no e-fatura no início de cada mês. Resultado: passou de 200 € de reembolso para 750 € no ano seguinte.

Na saúde, pode deduzir 15% das despesas suportadas, até ao limite de 1.000 €. Isto inclui consultas, medicamentos, seguros de saúde e tratamentos dentários. Na educação e formação, a taxa de dedução mantém-se nos 30%, com um teto de 800 €. Já nos encargos com imóveis (juros de crédito habitação para casa própria e permanente), a dedução pode atingir os 296 € anuais. As rendas permitem recuperar 15% do valor pago, até 700 € por agregado.

As despesas gerais familiares – que englobam faturas de supermercado, combustível, vestuário, água, luz e comunicações – têm uma dedução de 35% do IVA suportado, com limite variável conforme o rendimento do agregado. Passe sempre o NIF nestas compras, mesmo nas mais pequenas, pois acumulam ao longo do ano.

Para garantir que todas estas despesas contam, é essencial validar as faturas no Portal e-Fatura até 2 de março do ano seguinte. Caso detete erros de classificação – como saúde registada como despesa geral – corrija imediatamente. Se não validar dentro do prazo, ainda poderá fazê-lo ao entregar a declaração, mas com o risco de perder deduções mal categorizadas. Confirme também se os comerciantes emitiram todas as faturas com o NIF. Estas ações simples podem representar centenas de euros de diferença no reembolso final.

Calendário IRS 2026: prazos que não pode falhar

Organize o IRS 2026 ao longo do ano para evitar contratempos. O primeiro marco importante acontece em fevereiro, com o prazo até 16 de fevereiro para comunicar contratos de arrendamento de longa duração à Autoridade Tributária. Se arrendar um imóvel, esta declaração é obrigatória e condiciona deduções futuras.

Até 2 de março, tem de confirmar ou alterar o agregado familiar no Portal das Finanças. Este passo define quem faz parte da declaração conjunta ou separada e afeta diretamente o valor das deduções. Entre 16 e 31 de março, verifique as faturas registadas com o NIF em 2025 no e-fatura. Corrija ou reclame faturas em falta antes que o prazo expire, pois posteriormente não terá direito a essas deduções.

O período de entrega da declaração decorre entre 1 de abril e 30 de junho de 2026. Quem submeter até 31 de março beneficia de entrega automática pré-preenchida. A Autoridade Tributária deve processar a liquidação até 31 de julho para declarações entregues dentro do prazo. Se tiver reembolso a receber, o Estado tem até 31 de agosto para o transferir. Caso tenha imposto a pagar, o prazo limite é também 31 de agosto.

Perder prazos tem consequências: coimas entre 200 € e 500 €, perda de deduções fiscais e atraso no reembolso. Crie uma checklist mensal: fevereiro (contratos arrendamento), março (agregado familiar e faturas), abril a junho (entrega declaração), julho (verificar liquidação), agosto (confirmar reembolso ou pagar imposto). Esta organização cronológica garante que não perde direitos nem incorre em penalizações.

Como preencher e entregar o IRS 2026 sem erros desnecessários

A entrega da declaração de IRS em 2026 pode ser feita de duas formas no Portal das Finanças: através do IRS Automático ou do Modelo 3 (manual). O IRS Automático é pré-preenchido pela Autoridade Tributária com os dados que já possui sobre os rendimentos e despesas, sendo ideal para situações fiscais simples. Já o Modelo 3 exige que preencha manualmente todos os anexos relevantes, mas dá controlo total sobre a informação declarada e permite incluir deduções que possam não constar na versão automática.

Antes de começar, organize todos os documentos essenciais: cartão de cidadão de todos os membros do agregado familiar, senhas de acesso ao Portal das Finanças, declarações de rendimentos (trabalho dependente, recibos verdes ou pensões) e comprovativos de despesas dedutíveis. Esta preparação prévia evita interrupções durante o preenchimento.

Ao aceder ao Portal das Finanças entre abril e 30 de junho, verifique primeiro a proposta do IRS Automático, mesmo que pretenda preencher manualmente. Compare os rendimentos declarados com os recibos de vencimento ou outras fontes de rendimento para detetar omissões. Na secção de deduções, confirme se constam todas as despesas elegíveis: saúde, educação, habitação, lares e encargos com imóveis.

Um erro comum é aceitar a declaração automática sem validação cuidadosa. Corre o risco de perder centenas ou até milhares de euros se faltarem despesas dedutíveis que não foram comunicadas atempadamente pelas entidades. Se identificar informação em falta ou incorreta, opte pelo Modelo 3 e preencha os anexos necessários: Anexo A para trabalho dependente e pensões, Anexo B para recibos verdes, e os restantes conforme a situação fiscal. Reveja sempre antes de submeter.

Simuladores de IRS 2026: testar cenários antes de entregar

Antes de submeter a declaração, usar um simulador pode evitar surpresas desagradáveis e ajudá-lo a perceber se vai receber reembolso ou pagar imposto adicional. O Portal das Finanças disponibiliza uma aplicação oficial de simulação, mas existem também várias calculadoras desenvolvidas por entidades privadas, como bancos, plataformas de gestão salarial e organizações de defesa do consumidor.

Para utilizar um simulador, precisará de inserir informações básicas: rendimentos brutos anuais, retenções na fonte já efetuadas, despesas dedutíveis por categoria (saúde, educação, habitação, lares) e composição do agregado familiar. A ferramenta calcula automaticamente o imposto devido segundo os escalões em vigor e compara com o que já foi retido mensalmente no salário. A diferença determina se haverá reembolso ou pagamento.

Os simuladores são particularmente úteis em três momentos: ao planear despesas dedutíveis durante o ano, antes de decidir entre entrega individual ou conjunta, e quando há alterações significativas de rendimento ou situação familiar. Contudo, apresentam limitações importantes. Muitos não contemplam situações fiscais complexas, como rendimentos de várias categorias, benefícios fiscais específicos ou tributações autónomas. Os resultados são estimativas baseadas nos dados inseridos, podendo divergir do cálculo oficial se houver erros de preenchimento ou omissões.

Para garantir precisão, compare resultados de diferentes simuladores e confronte sempre com a liquidação provisória que o Portal das Finanças apresenta após submeter a declaração. Use os simuladores como ferramenta orientadora, não como resultado definitivo, e mantenha a documentação de todas as despesas declaradas para eventual comprovação.

Estratégias legais para pagar menos IRS em 2026

Reduzir legalmente a fatura do IRS não exige truques complexos, mas sim atenção ao planeamento e à organização das despesas ao longo do ano. A primeira regra prática é pedir sempre fatura com número de contribuinte em todas as categorias dedutíveis: saúde, educação, lares, imóveis, despesas gerais familiares e encargos com habitação. Este hábito simples pode fazer a diferença entre pagar mais imposto ou receber um reembolso significativo.

Aproveitar ao máximo os benefícios fiscais é fundamental. Em 2026, pode deduzir até 900 € em rendas de habitação permanente, e este limite sobe para 1.000 € a partir de 2027. Os PPR (Planos Poupança Reforma) permitem deduzir até 20% das entregas, com limites entre 400 € e 600 € conforme a idade. Para quem tem menos de 35 anos, o IRS Jovem oferece isenção parcial ou total do imposto até dez anos, representando uma poupança substancial nos primeiros anos de carreira.

Validar mensalmente as faturas no Portal das Finanças evita perder deduções por erro de classificação automática. Muitas despesas ficam pendentes ou mal categorizadas, especialmente serviços domésticos e despesas de saúde. Comunicar corretamente o agregado familiar também influencia o cálculo, pois as deduções são partilhadas.

O planeamento fiscal anual permite antecipar a carga tributária e ajustar comportamentos. Dividir grandes despesas dedutíveis entre anos fiscais, optar pelo englobamento quando vantajoso ou contribuir estrategicamente para fundos de pensões são decisões que, tomadas com antecedência, maximizam a eficiência fiscal sem contornar a lei.

Controlar as finanças antes que o Estado controle por si

Compreender o IRS 2026 não é apenas uma obrigação fiscal – é uma oportunidade para assumir o controlo das finanças e evitar surpresas desagradáveis. Ao longo deste guia, percorreu os escalões, as tabelas de retenção, as deduções mais relevantes, os prazos críticos e as estratégias legais para reduzir a fatura fiscal. Tem agora todas as ferramentas para organizar as despesas, validar faturas atempadamente e preencher a declaração com confiança.

O segredo está no planeamento: quanto mais cedo começar a preparar-se, maior será a margem para corrigir erros, aproveitar benefícios fiscais e maximizar o reembolso. Não espere pela última hora nem deixe escapar deduções por falta de atenção. Mantenha-se informado ao longo do ano, utilize simuladores para testar cenários e ajuste a estratégia sempre que necessário.

O IRS pode parecer complicado à primeira vista, mas com método e conhecimento torna-se um processo transparente e até vantajoso. Este é o momento de transformar a obrigação fiscal numa oportunidade de poupança inteligente.

Perguntas frequentes

Os escalões de IRS aplicam-se ao rendimento anual total e determinam a taxa de imposto final a pagar. As tabelas de retenção na fonte incidem sobre o rendimento mensal e servem apenas para fazer adiantamentos ao Estado ao longo do ano. A retenção mensal é um valor estimado que será ajustado quando entregar a declaração anual. Por isso, mesmo que a entidade patronal aplique corretamente a tabela de retenção, pode ter imposto a pagar ou a receber no acerto de contas.

Sim, pode solicitar à entidade empregadora que aplique uma tabela diferente se a situação familiar se alterar. Por exemplo, se passar de solteiro a casado, tiver filhos ou se o cônjuge deixar de trabalhar, deve comunicar essa mudança para evitar retenções excessivas ou insuficientes. A responsabilidade de aplicar a tabela correta é da entidade patronal com base nos dados que fornece, pelo que deve mantê-los sempre atualizados.

Não necessariamente. Se apenas recebe rendimentos de trabalho dependente de uma única entidade e não quer beneficiar de deduções adicionais (como despesas de saúde ou educação), pode não entregar declaração. Contudo, na maioria dos casos, entregar a declaração compensa financeiramente porque permite recuperar parte do imposto retido através das deduções à coleta. Mesmo que não seja obrigado, vale a pena simular para perceber se tem reembolso a receber.

Perde a oportunidade de corrigir erros de classificação automática das despesas. Faturas mal categorizadas – por exemplo, saúde registada como despesa geral – não contarão para as deduções corretas. Ainda pode validar faturas ao preencher a declaração entre abril e junho, mas o risco é maior: se alguma despesa estiver mal classificada e não corrigir nessa altura, perderá essa dedução definitivamente. Validar antes de março dá mais controlo e tempo para reclamar faturas em falta.

Depende da diferença de rendimentos entre ambos e das despesas dedutíveis. Geralmente, quando há grande disparidade de rendimentos ou quando um dos cônjuges tem despesas dedutíveis significativas, a tributação conjunta pode ser mais vantajosa. O Portal das Finanças permite simular os dois cenários antes de submeter, apresentando automaticamente a opção mais favorável. Teste sempre ambas as modalidades antes de decidir.

Sim, todas as despesas de saúde com fatura passada em nome próprio ou de dependentes do agregado são dedutíveis. Isto inclui consultas em clínicas privadas, medicamentos, análises, tratamentos dentários, fisioterapia e seguros de saúde. O limite de dedução é 15% das despesas até 1.000 € por agregado. Certifique-se de que as faturas têm o NIF correto e estão classificadas como “Saúde” no e-fatura.

Nem sempre. O IRS Automático preenche automaticamente os rendimentos comunicados pelas entidades patronais e algumas despesas reportadas por prestadores de serviços (saúde, educação, lares). Contudo, pode faltar informação se alguma entidade não comunicou atempadamente ou se tem despesas que exigem comprovação manual. Por isso, deve sempre verificar se constam todas as despesas elegíveis antes de aceitar a proposta automática. Se detetar omissões, preencha manualmente o Modelo 3.

O Estado tem até 31 de agosto para processar reembolsos de declarações entregues dentro do prazo (até 30 de junho). Na prática, declarações submetidas em abril ou maio costumam ser processadas mais rapidamente, muitas vezes em junho ou julho. Se houver alguma irregularidade ou pedido de esclarecimentos por parte da Autoridade Tributária, o prazo pode estender-se. Acompanhe o estado da liquidação no Portal das Finanças para saber quando o reembolso será transferido.

Sim, pode deduzir 15% do valor pago em rendas de habitação permanente, com limite de 900 € em 2026. Para usufruir desta dedução, o contrato de arrendamento tem de estar registado na Autoridade Tributária até 16 de fevereiro. Sem este registo, não há dedução possível. Certifique-se de que o senhorio cumpriu esta obrigação ou comunique você mesmo o contrato através do Portal das Finanças.

Depende da idade, capacidade de poupança e horizonte temporal. Os PPR permitem deduzir até 20% das entregas anuais, com limites entre 400 € e 600 € conforme a idade. Esta dedução baixa diretamente o imposto a pagar. Contudo, o dinheiro fica imobilizado até à reforma ou por um período mínimo (geralmente cinco anos), sob pena de perder os benefícios fiscais. Só compensa se estiver a planear poupança de longo prazo e se tiver margem financeira para imobilizar esse capital sem comprometer a liquidez imediata.

Fontes e referências

  1. Guia fiscal IRS 2026 – PWC
  2. Escalões de IRS – Santander
  3. Tabelas de retenção na fonte – Portal das Finanças
  4. Tabelas de retenção IRS 2026 – Doutor Finanças
  5. Diferença entre escalões e tabelas de IRS – Caixa Geral de Depósitos
  6. Coleta de IRS – Caixa Geral de Depósitos
  7. Calcular rendimento coletável – Doutor Finanças
  8. Despesas dedutíveis no IRS – Coverflex
  9. Portal e-fatura – Portal das Finanças
  10. Verificar faturas para o IRS – Doutor Finanças
  11. Despesas dedutíveis IRS – Santander
  12. Prazos IRS – DECO Proteste
  13. Os prazos do IRS – Montepio
  14. Calendário IRS 2026 – Doutor Finanças
  15. Preencher IRS passo a passo – DECO Proteste
  16. Cuidado com o IRS automático – Doutor Finanças
  17. Simulador IRS oficial – Portal das Finanças
  18. Simulador fiscal DECO – DECO Proteste
  19. Aumentar reembolso IRS – DECO Proteste
  20. Comunicado do Conselho de Ministros – Governo de Portugal
  21. Planeamento fiscal – Doutor Finanças

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Rica Vida

Conteúdo produzido pela equipa Rica Vida, com base em investigação, validação interna e critérios editoriais orientados para o rigor e a clareza da informação.

Revisto por: João C.

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